Twin turbo e biturbo… Não é tudo igual?

Turbos… O sonho de muitos, o pesadelo e dor de cabeça de outros tantos, estes componentes mecânicos surgiram em 1960 e desde então, têm sido utilizados em carros essencialmente desportivos e mais potentes, só nos últimos anos e devido ao downsizing dos motores, provocado pelas apertadas regras ambientais, é que eles passaram a ser utilizados nos carros mais comuns.

Expressões como twin turbo, biturbo, triturbo ou quadriturbo são familiares a qualquer “petrolhead”, mas para o comum utilizador de um carro, estes nomes podem ser jargões bastante estranhos, mas o que querem dizer estes nomes afinal?

Um dos maiores erros nesta matéria, é a confusão feita entre  twin turbo e biturbo, este tema já originou mais discussões e confusões, do que uma mulher em fúria por ter descoberto que o marido foi jantar com a amante.

Primeiro e antes de avançar, temos que saber o que é um turbo e como é que este funciona. O seu principio básico, consiste na utilização dos gases de escape para girar um rotor, que comprime o ar que entra na admissão do motor, com o aumento da massa de ar que entra no motor, mais rica é a mistura entre a gasolina e o oxigénio, o que leva a que a explosão seja mais forte, o que origina mais potência sem que para isso se gaste mais combustível.

Então quanto maior o turbo mais potência temos?

Nim… Um aumento no tamanho do turbo irá fazer com que o turbo leve mais tempo a comprimir o ar, o que leva a que o tempo de resposta do turbo aumente e origine o chamado “turbo lag”. Para optimizar o desempenho do carro, teremos que utilizar um turbo que forneça potência suficiente num tempo util óptimo (o melhor dos dois mundos), que não seja demasiado pequeno e perca potencia em altas rotações, nem que seja muito grande e acabe por se tornar lento.

Como a demanda por potência era enorme, foram desenvolvidas várias soluções, para resolver o problema do “turbo lag”, uma delas, passa por adoptar um sistema de dois turbos em vez de apenas um.

Um dos primeiros carros a usar dois turbos, foi o Maserati Biturbo de 1981, este carro, usava um motor V6 e usava 2 turbos iguais, um para cada linha de cilindros. Cada turbo trabalhava com os gases de metades diferentes do motor, o que fez com que os turbos pudessem ser menores, sem comprometer o fluxo de ar em altas rotações, este sistema e tinha a particularidade de ter um “turbo lag” reduzido.

No entanto, existe ainda outro tipo de sistema de dois turbos, que consistia em montar os turbos em sistema sequencial, sistema estreado no Porsche 959, mas popularizado pelo motor 2JZ do Toyota Supra, este sistema é também muito utilizado em motores diesel. Com este sistema, os turbos são movidos pelos gases de todos os cilindros do motor, mas com a particularidade de um dos turbos ser mais pequeno, actuando em baixas rotações, enquanto que o maior, actuaria mais tarde quando o fluxo de ar fosse maior.

E aqui é que começam os problemas…

E é aqui que começa a confusão dos termos biturbo e twin turbo. Em Inglês, existe a distinção entre turbos em paralelo e turbos sequenciais (parallel turbo ou sequential turbo), mas no caso de se tratar de um sistema em paralelo e como os turbos são idênticos em forma e função, ele ficou conhecido informalmente como “twin-turbo”.

Para piorar, em inglês o termo biturbo não identifica necessariamente um sistema de turbos sequenciais. É comum encontrar a expressão biturbo para designar motores que usam turbos paralelos. Basicamente acaba por ser uma questão de marketing por parte das marcas na escolha do nome a utilizar, porque na essencial os dois nomes servem para referir os dois sistemas…

Só para confundir mais um bocadinho

Se achavam já estão com os olhos trocados com tanto turbo, ainda temos o twin scroll, trata-se de um sistema com um só turbo, mas com a particularidade dos gases serem divididos em dois canais na entrada do turbo, daí o termo “twin”.

Este tipo de turbo, é muito utilizado em motores de 4 cilindros, pois nesses motores os cilindros sobem e descem em pares, logo cada canal trabalha com os gases de dois cilindros para assim, diminuir o “turbo lag”.

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