Importar um carro usado da Alemanha, ou de outro pais europeu, é muitas vezes uma excelente opção para quem quer poupar uns bons trocos, no entanto, é preciso fazer-se uma analise bem detalhada a todos os passos e burocracias necessárias para se ter a certeza que será um bom negócio.

Antes de falar da minha experiência de importar um carro e apresentar os gastos que tive, deixo um guia detalhado para quem se quiser aventurar a fazer o mesmo.

Já subscreveram o nosso canal no Youtube?

Guia, passo a passo, do procedimento de legalização

Passo 1

 
Fazer a Inspecção periódica: Para que possa começar todo o processo de legalização do seu carro importado, deverá fazer uma inspecção periódica do mesmo. Neste caso deverá ser uma inspecção automóvel do tipo B, portanto, mal chegue a Portugal o primeiro passo é recorrer a um centro de inspecções e tratar da inspecção tipo B do automóvel.
 

Passo 2

Deslocar-se ao IMT: O passo 2 é deslocar-se ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes para a homologação do Certificado de Conformidade Europeu. Este é um dos pontos importantes durante a pesquisa e compra da viatura. Deve certificar-se que ao comprar o veiculo no estrangeiro ele trás na documentação este documento, caso contrário, este terá que ser solicitado e pago à marca.

Passo 3

 
Deslocar-se à Alfândega mais próxima: Por vezes na nossa zona de residência não existe nenhum posto alfandegário. No meu caso, visto que vivo em Viseu tive que me deslocar a Aveiro. Deve preencher a Declaração Aduaneira de Veículos e juntar todos os documentos que possui do veículo — os que trouxe e os que já conseguiu no centro de inspecções e no IMT — e entregue na Alfandega, onde será informado do valor e da forma de pagamento do Imposto sobre Veículos. Após este passo, caso tenha efetuado o pagamento do imposto de imediato, o pedido da matricula demora apenas um dia caso seja levantado em mão na própria alfândega ou entre 2 a 3 dias se esperar pelo envio por correio.
 

Passo 4

 
As matriculas: Depois de ter a matrícula atribuída já pode mandar produzir as chapas e aplica-las na viatura para começar a circular.
 

Passo 5

 
Seguro automóvel: Este passo é quase que óbvio. Após a emissão da matricula deixa de puder circular com as matriculas provisórias e seguro adquiridos no pais de importação (caso tenha importado o seu carro e tenha vindo a circular com o mesmo). Neste passo deve procurar fazer um seguro para continuar a circular com o mesmo.
 

Passo 6

 
60 dias para conduzir: A Declaração Aduaneira junto com o seguro automóvel já lhe permite circular com o carro, durante 60 dias. No entanto, o processo de legalização ainda não está completo
 

Passo 7

Ir novamente ao IMT: Parece que nunca mais acaba não é!!! É necessário voltar novamente ao IMT e entregar todos os documentos da Alfândega. Só depois deste passo é que estaremos perto de conseguir o Documento Único.
 

Passo 8

 
Como conseguir o Documento Único: Mais três semanas de espera e os documentos chegam à Conservatória do Registo Automóvel. Só aí e  decorrido esse tempo ,é que poderá requisitar o Documento Único.
 

Passo 9

 
Pagar o Imposto Único de circulação: O suspiro final, vem com o pagamento do imposto único de circulação. Após este passo acabaram-se as despesas, os trabalhos e principalmente as filas de espera!
 

EDIT – Dúvidas Frequentes:

 
 

A minha experiência…

O carro que importei foi um Mercedes C250 coupé.

Exactamente o que mostro na fotografia. Mesmo sendo um carro com 100mil km, o seu aspecto geral é de um carro quase novo. Com uma ou outra arranhadela nas jantes, ou com um picotado ou outro de abrir a porta, mas nada mais a apontar.

A minha estratégia, passou por seleccionar 5 carros, (4 em stands e 1 na Mercedes), que queria comprar, (todos o mesmo modelo), e pré-negociar por email e por alguns contactos móveis. Num deles, até recebi um telefonema de um Sr. Português, que serviu de tradutor e deu uma boa ajuda a perceber algumas coisas sobre o processo de aquisição.

Tendo isto. foi fazer as malas reservar um carro de aluguer e que comece a aventura.

O início…

Começando por proximidade ao aeroporto comecei por me deslocar aos stands dos carros que teria seleccionado.

No primeiro stand, comecei logo com algumas dificuldades porque não estava ninguém no local e até que aparecessem passou quase uma hora! Quase, quase, que fiz logo negócio no primeiro, e só não fiz, porque o vendedor queria que o carro fosse inspeccionado por um Eng. Mecânico, o que faria que só me entregasse o carro passados 3 dias…

Passando ao segunda da lista, que foi uma desilusão total… Mal cheguei ao stand, vejo o carro completamente coberto de pó e com sinais de que já estaria ali parado há uns bons meses. Pedi se poderia experimentar o carro e os funcionários disseram logo que não, mas deram-me na mesma as chaves para abrir o carro, mas nem me acompanharam mais. Não precisavam de vender…

A compra…

Começando a desesperar, lá peguei eu no carro alugado para uma viagem de 3h a conduzir até ao próximo stand (na Alemanha tudo é longe).

No terceiro stand, (que foi onde fiz negócio), aparece-me a esposa do vendedor com o carro. Ou seja, era o carro de utilização diária dela. O que para mim não foi nenhum “se não”, pois só provava que o carro estava em condições de circular. Durante a negociação foi tudo muito pacifico. Experimentei o carro, ainda consegui baixar mais qualquer coisa no preço (não fossemos nós tugas :P), o vendedor foi super prestável em disponibilizar-se para ajudar em todo o processo de transferência de nome.

Dei-lhe um sinal de 2 mil euros, e combinámos no dia seguinte logo pela primeira hora da manhã (que foi às 7h) fazer o registo do carro, a mudança das placas e o seguro de circulação para 15 dias (tudo pago por ele). Não há muito a dizer, pois às 11h da manhã já estava a atestar o carro para por os pneus na estrada a caminho de PT.

Agora a minha lista de despesas…

Como a ideia desta publicação é mostrar uma experiência real e pessoal de importação de um carro, mostro a lista completa e muito detalhada de todas as despesas que tive nesta aventura.

Concluindo:

Bem dos valores apresentados, importa falar do valor pago na alfândega. O cálculo do ISV, (clicar na sigla para abrir o simulador), depende do ano do carro, da sua cilindrada, das emissões de CO2 e da quantidade de partículas emitidas em g/km, tendo em conta o combustível do veiculo. As regras do cálculo do ISV, estão sempre a variar de ano para ano, por isso, a forma mais precisa de verificar este valor, é fazendo uma simulação rápida no site das finanças.

Em termos conclusivos, importar um carro é certo que é um processo demorado e chato, com longas filas de espera, mas na minha opinião compensou bastante. Tendo em conta os valores apresentados, o que acham? De referir, que o preço médio do carro em Portugal na altura era de 31 mil euros. Atenção que os valores apresentados da importação dizem respeito à legislação de 2016.

Se tiver alguma dúvida neste processo, deixe-nos um comentário ou envie-nos uma mensagem privada. Teremos todo o gosto em partilhar mais detalhes desta experiência e explicar todo o processo detalhadamente.

Sigam-nos no Facebook e subscrevam o nosso canal no Youtube