Green NCAP

Com o aumento da produção de veículos eléctricos, custo energético e consequentemente as emissões de CO2 no processo de fabrico das baterias têm vindo a aumentar. Mas quanto tempo é necessário, para que os veículos eléctricos, tenham algum impacto nas emissões reais de CO2, em vez de apenas nas emissões locais de CO2?

Esse é o tipo de considerações que a Green NCAP, a divisão mais ambientalista da EURO NCAP, tem vindo a analisar nos últimos anos, com a sua Avaliação de Ciclo de Vida. Os resultados foram divulgados recentemente e embora não agradem aos defensores do veículos eléctricos, estes não deixam de ser expectáveis e vêm de certa forma confirmar, algumas teorias que poem em causa a efectiva redução das emissões de CO2, por parte dos veículos eléctricos.

A Green NCAP, a parte “ambiental” da Euro NCAP, considera que os carros eléctricos provavelmente não são a resposta para a diminuição das emissões de CO2 ao longo do ciclo de vida de um carro.

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A Green NCAP calculou as emissões totais estimadas de gases de efeito estufa e a demanda de energia primária, para um total de 61 carros, onde se incluem modelos a gasolina, diesel, híbridos e veículos eléctricos.

Para permitir uma comparação geral, a análise pressupõe uma vida útil do veículo de 16 anos e uma quilometragem percorrida de 240.000 km. Os cálculos são baseados na última mistura média de energia e materiais dos 27 estados membros da União Europeia e do Reino Unido.

É claro que no caso dos veículos eléctricos, grande parte de sua fatia de emissões de CO2 ocorre durante a sua produção, mas no geral, tendo em conta as emissões de gases de efeito estufa, os quatro modelos menos poluentes são o Fiat 500, VW ID.3, Lexus 300e e Nissan LEAF. No entanto, a diferença para os modelos híbridos ou com motores de combustão não é abismal, pois são seguidos de perto pelo Toyota Prius híbrido, Skoda Octavia diesel e Peugeot 208 diesel. (Para ver dados completos clicar no link associado ao modelo referenciado).

Quando se trata de Demanda de Energia Primária, que calcula o custo total de energia desde a produção até à reciclagem do veículo, os três modelos mais eficientes não são veículos eléctricos, mas sim, carros com motor a combustão, sendo o Skoda Octavia diesel o mais eficiente, seguido pelo Toyota Prius híbrido e pelo Peugeot 208 diesel.

Parece claro pelos números da Green NCAP, que os veículos eléctricos, estão longe de serem muito mais limpos do que as soluções com motor a combustão. Efectivamente, no caso de veículos mais pequenos e destinados para uma utilização mais citadina, os eléctricos conseguem ter algum impacto (embora pequeno), no entanto, quando comparamos carros de maiores dimensões, o “ganho ambiental” esfuma-se, não existindo uma real diferença entre os veículos eléctricos e os veículos de com motores de combustão interna.

Este estudo, vai ao encontro daquilo que parece ser a aposta de cada vez mais marcas em soluções baseadas em hidrogénio, quer este seja utilizado através de células de combustível, ou até mesmo, pela sua utilização em motores de combustão interna.

No fundo, este estudo serve também de alerta, pois por muito que se tentem introduzir soluções de mobilidade eléctrica, caso as fontes de energia não passem também alas a ser mais limpas, a utilização de carros eléctricos só por si, não irá trazer nenhuma melhoria substancial para o planeta.